Na mesa da sala papéis se confundem.A grafite que tanto risca dita o ritmo.Ali não se sabe o que é real, não se entende o que é vida.A grafite esboça o mundo imaginário.Alguma alma despeja palavras no ar.Enquanto outras transitam pelos espaços vazios, como se fossem pra outro lugar.O que a grafite traça, a borracha apaga. O que a grafite marca, nem o tempo esconde.O breve silêncio desmascara a plena falsidade.Palavras nem ao léu, nem ao céu. Palavras ao lixo.A grafite suja os dedos que apontam a direção de várias vidas.Para onde eles apontam? No que essas almas realmente acreditam?A grafite é o seu meio de expressão, via da opressão.Ternos e gravatas são disfarces da tristeza, cobrindo os vazios.A vida em segundo plano. Um mundo falso.Do que esperar da grafite? O que ela vai me dizer?Como a vida, um dia ela chega ao fim.Como a vida, é preciso saber usá-la.Como a vida, ela é um instrumento do sistema.
Foto: Rodrigo Rocha

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