segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Grafite




Na mesa da sala papéis se confundem.
A grafite que tanto risca dita o ritmo.
Ali não se sabe o que é real, não se entende o que é vida.
A grafite esboça o mundo imaginário.
Alguma alma despeja palavras no ar.
Enquanto outras transitam pelos espaços vazios, como se fossem pra outro lugar.
O que a grafite traça, a borracha apaga. O que a grafite marca, nem o tempo esconde.
O breve silêncio desmascara a plena falsidade.
Palavras nem ao léu, nem ao céu. Palavras ao lixo.
A grafite suja os dedos que apontam a direção de várias vidas.
Para onde eles apontam? No que essas almas realmente acreditam?
A grafite é o seu meio de expressão, via da opressão.
Ternos e gravatas são disfarces da tristeza, cobrindo os vazios.
A vida em segundo plano. Um mundo falso.
Do que esperar da grafite? O que ela vai me dizer?
Como a vida, um dia ela chega ao fim.
Como a vida, é preciso saber usá-la.
Como a vida, ela é um instrumento do sistema.



Foto: Rodrigo Rocha

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