sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Estradas



Em cada estrada no caminho busquei a tangente.
Do verde ao cinza, do branco ao azul, nem sempre vi as cores do que estava à frente.
Eu vi no asfalto o tempo, na mata a vida, no céu a luz e em cada nuvem a direção, norte-sul. Se cada linha na estrada guiasse meu caminho, no tempo eu não estaria sedento, sozinho.
Deixei nuvens me guiarem, na direção que apontarem, na beleza em que se formam.
Transitei, segui, retornei. Nem no tempo percebi o que aprendi, nem no que me tornei, aonde cheguei.
Reaprendi, sem perceber recomecei, na direção de uma nova nuvem reescrevi o que vivi.
Das estradas que eu vi, isso eu senti, não houve traço sem defeito nem placas sem retorno. 
Todo começo tem um fim e todo fim um recomeço.


Foto: Mariana Rocha


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Grafite




Na mesa da sala papéis se confundem.
A grafite que tanto risca dita o ritmo.
Ali não se sabe o que é real, não se entende o que é vida.
A grafite esboça o mundo imaginário.
Alguma alma despeja palavras no ar.
Enquanto outras transitam pelos espaços vazios, como se fossem pra outro lugar.
O que a grafite traça, a borracha apaga. O que a grafite marca, nem o tempo esconde.
O breve silêncio desmascara a plena falsidade.
Palavras nem ao léu, nem ao céu. Palavras ao lixo.
A grafite suja os dedos que apontam a direção de várias vidas.
Para onde eles apontam? No que essas almas realmente acreditam?
A grafite é o seu meio de expressão, via da opressão.
Ternos e gravatas são disfarces da tristeza, cobrindo os vazios.
A vida em segundo plano. Um mundo falso.
Do que esperar da grafite? O que ela vai me dizer?
Como a vida, um dia ela chega ao fim.
Como a vida, é preciso saber usá-la.
Como a vida, ela é um instrumento do sistema.



Foto: Rodrigo Rocha